sábado, 6 de dezembro de 2008

Alunos cotistas do RJ terão prioridade para estágio no setor público

Os deputados do Rio de Janeiro aprovaram, no dia 3, uma nova proposta de sistema de cotas para ingresso nas universidades estaduais do Rio. O texto instituiu a reserva proporcional de vagas em estágios na administração direta e indireta estadual. Agora, universitários cotistas terão prioridade para preenchimento das vagas.


Segundo o novo sistema, os cotistas também serão priorizados em programas de crédito pessoal para pequenos empreendimentos. A proposta substituirá a lei de cotas atualmente em vigor, que expira este ano. O texto será enviado agora para o governador Sérgio Cabral para que seja sancionado.
O projeto aprovado garante a possibilidade de preenchimento das vagas destinadas ao sistema por alunos aprovados no sistema regular de vestibular, caso haja sobra dentro dos percentuais destinados aos estudantes negros (20%), vindos do ensino público (20%) e portadores de deficiência ou filhos de policiais mortos em serviço (5%).
Outra emenda aprovada incluiu os filhos de policiais, civis e militares, bombeiros militares, inspetores e agentes penitenciários incapacitados entre os beneficiários da cota de 5%, ampliando o alcance da parcela inicialmente destinada apenas aos deficientes e aos filhos de profissionais de segurança mortos em serviço.
Cotistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) e Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terão a bolsa-auxílio ampliada. A regra garante o pagamento do auxílio durante todo o tempo de duração do curso, e não apenas durante o primeiro ano, como determinava a lei anterior.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PSDB, DEM e PPS tentam se unir em um novo Bloco

Os presidentes dos partidos da oposição conservadora, PSDB, DEM e PPS, anunciaram nesta quarta-feira (3) mais uma tentativa de se unirem em uma aliança permanente. Batizada Bloco Democrático-Reformista, a frente tem grandes ambições: unir as três legendas nos municípios, estados e nacionalmente, no Parlamento e na sucessão presidencial de 2010, obter ''musculatura'', atrair o PV e se possível o PMDB. Mas não há nada garantido, nem mesmo se o BDR vai vingar.
Rodrigo (è esq.), Guerra e Freire anunciam seu Bloco ''Se o bloco político for mesmo mantido, a política nacional terá três vetores eleitorais potencialmente equivalentes'', comentou nesta quinta-feira (4) o Ex-Blog de Cesar Maia, prefeito em fim de mandato do Rio. Os outros dois ''vetores'' seriam PT-PMDB e PSB-PDT-PCdoB.
A condicional do chefe demista expressa as dúvidas nos meios políticos sobre o futuro da iniciativa. ''Juntos, porém, eles poderão dar trabalho ao governo Lula, já que somam 132 parlamentares'', diz o cauteloso Ex-Blog.

''Musculatura'' para que ''não se repita 2006''

Pelo menos quatro outras tentativas de bloco oposicionista já ocorreram, desde o início do governo Lula, em 2003, e com seu auge durante a crise política do ''Mensalão'', em 2005. Nas eleições presidenciais de 2006 as três legendas apoiaram o mesmo candidato, o tucano Geraldo Alckmin, embora o PPS não formalizasse a coligação para manter flexibilidade nas alianças em cada estado.

Por isso houve uma pitada de autocrítica na forma com que o anúncio foi feito em Brasília pelos três presidentes – deputado Rodrigo Maia (RJ) pelo DEM, senador Sérgio Guerra (PE) pelo DEM e ex-deputado Roberto Freire (PE) pelo PPS. ''Precisamos dar musculatura a essa aliança para que não se repita o que aconteceu em 2006, quando fechamos uma aliança entre a cúpula desses três partidos sem o apoio da base'', explicou Guerra.

Em busca de ''musculatura'', Guerra pretende fazer em fevereiro, em Brasília, uma reunião com prefeitos, governadores e parlamentares dos três partidos e outras organizações, para discutirem a estratégia do Bloco Democrático-Reformista. Segundo o tucano, a idéia é ''dar mais conteúdo'' ao projeto de uma oposição responsável. Guerra acha que as divergências regionais serão solucionadas e uma candidatura presidencial de unidade está agora ''mais que provável'' (antes, o DEM, escaldado pelas urnas de 2006, assegurava que lançaria seu próprio presidenciável).

O que falta: tendência, consistência, discurso

O Ex-Blog de Cesar Maia é até injusto ao falar em 132 parlamentares: caso o BDR vingue, terá 154 cadeiras no Congresso, 128 na Câmara e 26 no Senado. Atualmente o PSDB possui 58 deputados federais e 13 senadores, o DEM 57 e 13, o PPS 13 e nenhum senador. O problema do bloco conservador não será o número, mas sua tendência, sua consistência e o seu discurso.

Nascida para ser governo, a oposição conservadora brasileira tem sofrido uma sensível desidratação nestes anos em que ficou fora da Esplanada dos Ministérios. Os dados sobre as bancadas na Câmara o demonstram. O PSDB perdeu oito deputados durante a atual legislatura, 12 em relação a 2002 e 41 face a 1998, quando se achava no governo com Fernando Henrique Cardoso.O DEM (ex-PFL) perdeu oito em relação a 2008, 27 na comparação com 2002 e 58 desde 1998. O PPS perdeu nove em relação a 2006, dois face a 1998 e ganhou dez desde 1998.

A perda do governo e da caneta, sobretudo em 2006, também agravou tendências centrífugas entre as três legendas. Entre as 26 disputas nas capitais de estado em outubro, o PSDB e o DEM concorreram em chapas diferentes em 15 e só se aliaram em 11. As chapas conjuntas foram derrotadas em oito capitais e vitoriosas nas três restantes – Curitiba, Campo Grande e Teresina. A unidade das três siglas na mesma coligação foi ainda mais rara, embora o PPS tenha se inclinado mais por alianças com os tucanos e alguns falem até em sua incorporação ao PSDB.

As três bancadas no Congresso também se dividem com freqüência. A reunião deixou claro que o Bloco não significará que os três partidos votarão necessariamente juntos no Legislativo.

Porém o mais grave é que 2002, 2004, 2006 e 2008 não enfraqueceram apenas a votação e a unidade da oposição conservadora: roubaram-lhe também o discurso. No anúncio do BDR, não se falou em um programa comum. Houve menções vagas crise econômica e às ''reformas estruturais que o Brasil tanto necessita'', porém sem entrar em detalhes, já que a crise começou justamente por espatifar os dogmas neoliberais que atendem também pelo apelido de ''reformas estruturais''. A campanha de 2008 foi outra evidência disso, com os candidatos oposicionistas econômicos na crítica e entusiastas no elogio ao governo Lula.

Sonho: o PV de Gabeira e do PMDB de Quércia

Ainda assim os três presidentes partidários fazem boa cara ao mau tempo e anunciaram até tentativas de expansão do Bloco. A primeira ocorre na próxima sexta-feira, quando Roberto Freire tem encontro marcado com o presidente do PV, José Luiz de França Penna.

A tentativa visa atrair os verdes, fazendo com que abandonem o governo – onde ocupam o Ministério da Cultura. O argumento é o bom desempenho de dois verdes oposicionistas em outubro: Micarla de Souza, que ganhou em Natal como sublegenda do DEM, e Fernando Gabeira, que chegou ao segundo turno no Rio turbinado e politicamente orientado pelo PSDB.

Porém a cartada mais alta visa atrair o PMDB para o Bloco oposicionista. O grande partido de centro, forte em parlamentares, governadores e prefeitos – e também em ministros –, sem unidade nacional ou programática, fez bonito nas urnas de outubro, em boa parte enfrentando seu aliado formal, o PT. Em 2010, pode ficar com o bloco de Lula, mas também ter candidato, ou aderir à oposição, ou nenhuma das anteriores, e é cortejado por todos. Os oposicionistas esgrimem, em seu favor, o entusiasmo com que Orestes Quércia, chefe do PMDB de São Paulo, aderiu às candidaturas de Gilberto Kassab (DEM) em 2008 e José Serra (PSDB) em 2010. Ninguém arrisca dizer se Quércia conseguirá ou não convencer seus correligionários nacionalmente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Manifesto